Ela Escreve

vida adulta/real, girlhood, lifestyle


mulher de costas sentada à janela aberta com vista para o verde: presença, distância e o tempo com os pais


Existe um momento na vida adulta em que olhamos para os nossos pais e percebemos, de repente, que a responsabilidade virou de lado. Que agora somos nós. Esse texto nasceu de duas semanas na casa dos meus pais, observando o tempo e o que ele faz com quem amamos.

Sentada no sofá no meu quarto da adolescência, no interior de Minas, olhando pela janela, enquanto minha mãe anda pra lá e pra cá fazendo o almoço e lidando com outras pequenezas do dia a dia, me pergunto o que aconteceu com o tempo, porque só agora me dei conta de que sou a adulta responsável pelos meus pais.

Aos trinta anos, pela primeira vez, precisei viajar para casa dos meus pais por uma questão de saúde. Observei por uma semana os comportamentos e padrões. O que foi feito e o que não foi. O que é preciso fazer para ajudá-los.

A distância é um grande fator que trabalha contra nós, contra a saúde mental. A solidão que eles sentem, o fato de pensarem que não são mais úteis, a diferença do corpo que aguentava tanto e hoje se queixa de alguns movimentos que costumavam ser tão comuns. A saúde mental que nunca havia sido uma pauta, hoje é a principal queixa e a mais dilacerante.

Ver nossos pais envelhecerem e nos dar conta de que o tempo junto a eles está cada vez mais escasso e perceber que, por morarmos distantes e as visitas acontecerem uma ou duas vezes por ano, parece nos colocar em uma corrida cruel contra o relógio.

Entretanto, acredito que o mais importante é fazer e viver o aqui e o agora. O que é possível, dar o nosso melhor para o melhor deles. Ser companhia perto ou longe. A tecnologia nos ajuda nessa jornada de estar perto e se fazer presente mesmo à distância.

Mesmo que possamos pensar que as coisas das nossas vidas parecem sem importância para contar a alguém, tenho certeza que nossos pais amam saber cada pequeno detalhe. O casaco que eles deram de presente e que estamos vestindo hoje, uma foto das unhas pintadas, a droga da otite, falar sobre a academia e a irritação no trabalho... tudo isso faz com que eles se sintam incluídos.

Aqui eu deixo uma lembrança final: nossos pais, definitivamente, são tão humanos quanto nós e podem ser mais sensíveis do que imaginamos e, por mais clichê que pareça dizer, é sempre bom lembrar que nossos heróis não usam capa, eles são de carne, osso e sentimentos.

Principalmente sentimentos.
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mulher jovem pensativa — vida adulta e autoconhecimento

Caros leitores,

Muita gente chega à casa dos 30 com a sensação de que deveria ter mais - casa própria, plano definido, vida organizada. Mas a verdade é que estamos em muitos nessa situação, e talvez isso já seja, por si só, um alento. Se você está atravessando essa fase com medo do que ainda não construiu, este texto é pra você.

Na verdade, não sei se está realmente tudo bem (como coloquei ali no título), mas sei que acontece e parece ser tão assustador atravessar a porta dos 29, que te dizer isso pode ser um acalento, caso você esteja chegando nessa fase. Se você ainda morar com seus pais ou em uma kitnet mobiliada em que os móveis não seus ou talvez divida aluguel com amigos ou more em um quarto de república, está tudo bem, você está dando seus passos na medida que você consegue.

Acredito fielmente (na verdade é meu namorado quem acredita e tenta me convencer) que ainda somos jovens e estamos com um bom tempo em nossa frente, tempo de corremos atrás dos nossos sonhos, de trabalharmos para a construção do nosso futuro. Aqui, eu realmente (eu mesma), acredito que os 30 são os novos 20.

Me pego pensando constantemente que com a minha idade, meus pais tinham dois filhos e casa própria, mobiliada, veículo na garagem e me sinto perdida de como vou fazer isso, por isso é tão assustador. Mas há tempo e os tempos são outros. Os tempos são mais difíceis, temos uma série de questões que talvez os meus e os seus pais não tiveram.

Nos meus dias mais otimistas, como hoje, eu penso que vai dar tempo, que haverá construção, que será até melhor, porque eu faço terapia, busco ser melhor. Então há esperança de construção ou, se você, como eu, está reconstruindo, com certeza haverá reconstrução e não há o que temer.

Hoje, com o apoio que eu tenho e com tudo que venho aprendendo, quero acreditar que estar na casa dos 30 não é assustador, apenas desafiador,
Acreditar que estamos no lugar de recuperar sonhos também,
Mesmo que isso esteja um pouco fora de moda aos 30.

Acreditar que há descobertas a serem feitas
E afirmar que está tudo bem não termos nossas vidas resolvidas aos 30 e que ainda há tempo para muito,
Para tudo o que você e eu quisermos.

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