Ansiedade nas pequenas tarefas: por que arrumar a cama pode parecer impossível
Ontem à noite, no ímpeto de querer sair da monotonia automática da vida - estando em casa, me recuperando de uma lesão -, anotei algumas coisas para fazer hoje. Olhei para a lista e meu coração começou a bater forte. 110BPM em repouso. Apenas olhando para a maldita lista!
Uma lista com tarefas difíceis?, você pode se perguntar.
E eu te repondo que, definitivamente, não.
Tarefas para o meu bem-estar, para o mínimo em relação a viver bem, e eu cito:
- Lavar roupas (apenas procurar alguma roupa perdida e colocá-la junto com as outras na máquina de lavar - que faz tudo sozinha, inclusive);
- Pintar as unhas (sim, apenas passar o esmalte, porque cortar e lixar eu já fiz em outro momento da semana);
- Lavar louças (algumas esquecidas no quarto e as que estão na geladeira com comida da semana passada que, definitivamente, não será consumida);
- Arrumar a cama (para que eu não corra o risco ou recorra o vício de deitar nela durante o dia);
- Limpar uma mala de mão (tenho planos).
Me dá muita ansiedade pensar que me dá ansiedade (oi?) apenas o fato de olhar para a lista e sentir o quão difícil parece ser executar essas pequenas tarefas. O quanto meu coração acelera e o quão pesada fica minha respiração. E, às vezes, mesmo sabendo que é um sintoma do TAG (transtorno de ansiedade generalizada), eu sinto vergonha disso. De não me sentir funcional em coisas consideradas tão simples e básicas para as pessoas que vivem sem nenhum tipo de transtorno.
Entretanto, acho importante me lembrar - e te lembrar também, caso você esteja passando por isso -, das pequenas coisas que consegui fazer antes das 10:00 e, para ser justa comigo, também vou citar:
- Acordei às 07:00, antes do despertador e li por meia hora;
- Tomei banho ouvindo e cantando músicas pra cima (eu amo músicas tristes, mas hoje foram up)
- Me arrumei - inclusive colocando acessórios e fazendo skincare (sem esquecer o protetor solar, para ficar em casa);
- Fui na padaria comprar pão fresco;
- Preparei meu café da manhã e o tomei de forma calma e presente;
- Não mexi no meu celular
Não sei você, cara leitora (ou leitor), mas eu me cobro muito pelas coisas que não consigo fazer e esqueço de apreciar e celebrar as que consigo. Sei muito bem ser crítica de mim mesma e não consigo me empatizar comigo da forma que me empatizo e abraço o outro.
Ao longo do dia, tirei forças de não sei onde (juro!, porque eu também estava com cólica) e fui quebrando as tarefas.
Primeiro, me certifiquei de que havia pego todas as roupas que precisavam ser lavadas - inclusive as de verão, que estão com "cheiro de guardado" no armário - e aí foi fácil descer as escadas e riscar da lista essa tarefa. Passando pela cozinha, na volta, já peguei a vassoura e, pelo menos, varri a casa - e isso não estava na lista.
Peguei uma mala de mão e limpei - parece que uma coisa puxou a outra. Quando devolvi a vassoura, já comecei a recolher as comidas e lavar as louças. Chegando ao quarto, meus livros fora do lugar me incomodaram e eu guardei todos eles - sem lista. Por fim, me concentrei em arrumar a cama, porque quem sabe, sabe o motivo de ser tão difícil.
Agora ainda são 15:13 e só falta pintar as minhas unhas, o único item da lista que ainda não foi riscado. Mas acredito que posso conseguir, apesar de tudo isso ter sugado um pouco da minha energia. E se não conseguir, está tudo bem, pois ainda vai existir um amanhã.
Talvez você tenha uma lista parecida com a minha. Talvez um pouco mais difícil. Mas, hoje, eu te convido a fazer apenas uma tarefa dessa lista. Só uma. Quando você conseguir fazer, se olhe com o carinho que você olha para o outro e se abrace. Não precisa ser tudo, só precisa ser o suficiente por hoje. Não importa quanto ou como, o que importa é que você conseguiu e que amanhã é outro dia.

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